Você aí, que já não sabe onde enfiar tantos livros e revistas , certamente vai ficar tentado pois a gigante Amazon.com anunciou com alarido o nascimento do Kindle, um simpático aparelho que serve para a leitura de periódicos, livros e blogs, tudo devidamente digitalizado e online.

Cabe nele o equivalente a uns 200 livros. E a maquininha, permite fazer anotações sobre o texto e funciona sem fios. Além disso, a bateria segura 30 horas de carga. E isso tem um preço: nos EUA, vai sair a US$ 350 (cerca de R$ 800). Com o aumento da produção poderá cai para um terço deste preço ou menos.

Somente a Amazon oferece 90 mil títulos digitalizados, sob medida para o Kindle, ao preço
de US$ 9,99,cada, embora, textos em português, ainda, não sejam tão abundantes.

Não é por acaso que a Amazon está lançando o seu Gaddget. Já existe um quase consenso na rede de que estamos, embora, 10/15 anos atrasados em plena “paperless society”. Pesquisas suportam esta tendência. Somente laudas altamente relevantes e prioritarias estão sendo impressas pelo usuário padrão da rede.

O receptor quer, agora, ler a informação na tela, com uma boa visualização e se a informação for extensa, levar mais de 180/240 minutos de leitura não lê. Salva em disco ou descarta. Se interessa prioritariamente salva nos discos rígidos, que estão cada vez maiores e se não lê em 3 meses deleta.

Dai a importância cada vez maior das interfaces gráficas para leitura na web e da eficiência de visualização para leitura nos sites e blogs. Se o site ou wiki demora a carregar, tem entraves de login e password, uma administração burocratizada com longos cadastros e é
ineficiente no trato com o usuário este não volta nunca mais lá.

A pesquisa da OCLC indica que os grandes usuários da web possuem cerca de 20/25 URLs de uso regular, contínuo e privilegiado: são Bancos, P2Ps , sites de transações horizontais para uma produção , sites de consumo preferencial, jornais , alguns wikis
preferidos.

As outras URLs você entra uma vez na vida e nunca mais volta lá.

Com exceção dos casos específicos do usuário impressores pelo momento, como um estudante em um programa de doutorado, por exemplo, que precisa colecionar documentos para estudo e análise estamos no final da era das impressoras lazer de grande volume de impressão.

A impressão agora é para o entretenimento ou para material de alta prioridade. Dai a volta das “Epson” jato de tinta, de alta definição de cores e imagem. Já conseguimos ficar mais de 2 semanas sem imprimir nada, além de recibos, extratos de bancos e documentos
necessários para comprovação. Você hoje compra uma laser P&B por 850 reais. Custava 3 mil há dois anos.

Está é uma nova plataforma de comportamento do usuário face a tecnologia que chegou suave e meio despercebida. É um comportamento associado a apropriação da informação digital.

Documento impresso é para mostrar aos amigos.

As árvores do mundo agradecem a chegada da “Paperles Society”.

– Aldo Barreto, PhD em Ciência da Informação, IBICT

Fonte: [e-texto/abarreto-l] – Lista de discussão do IASI – Instituto de Adaptação e Inserção na Sociedade da Informação.

Nota do Editor do Portal do Arquivista

A criação de documentos arquivísticos eletrônicos com valor legal já não é uma novidade, a Infra-Estrutura de Chaves Pública Brasileira é um dos elementos que contribui para o reconhecimento de documentos eletrônicos como evidência.

O acesso aos documentos eletrônicos por meio de dispositivos de leitura permitiriam o acesso à acervos arquivísticos sem utilizar o suporte papel. A caminhada pode ser lenta, mas provavelmente é inevitável e as vantagens são inegáveis, para os produtores quanto para os usuários consulentes da documentação. Enquanto isso, como diz o autor, continuaremos a imprimir os documentos necessários para comprovação, até não mais precisarmos imprimi-los.

O suporte papel ainda está entre nós, porém, a medida que a tecnologia de assinatura digital e os sistemas de gestão de documentos eletrônicos se tornarem mais comuns, a diminuição do uso desse suporte será sensível.

A frase repetida pelos pesquisadores da Arquivologia, de que a área se move cada vez mais da preocupação custodial para o do acesso à informação, continua valendo.

As árvores do mundo agradecem a chegada da “Paperless Society”
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2 ideias sobre “As árvores do mundo agradecem a chegada da “Paperless Society”

  • 5/12/2008 em 16:03
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    Em países como o Brasil (em constante desenvolvimento), a transição para a assinatura digital será mesmo a longo prazo, dado que as políticas arquivistas aqui estabelecidas ainda são intencionalmente restritivas. Talvez porque estejamos presos culturalmente à estrutura de um Brasil Colonial, que não permite sequer a mínima visibilidade e(ou) transparência das informações, medida de fato antagônica ao conceito democrático de domínio público.

    Mas é claro que precisamos de instrumentos intelectuais para mudar esta situação. E, você, Ricardo, é uma destas pessoas, com um perfil intelecutal e características operacionais bastante promissoras.

    Parabéns pelo seu trabalho que, circunstancialmente, acabei de conhecer.

    Valeu!

    Do amigo também arquivista

    Ricardo Bezerra (Rio de Janeiro)

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