Nota do editor do Portal do Arquivista: O texto a seguir foi escrito pr um colaborador e é de responsabilidade de seu autor.

A partir do anúncio do ministro Palocci que o Arquivo Nacional voltaria para o Ministério da Justiça, criou-se um grande movimento em defesa da instituição, tendo como mote a permanência na Casa Civil, considerando que ocorreram avanços para a Arquivologia, estando a instituição num lugar de excelência. Em que pese as contradições de estar e não se utilizar dos amplos potenciais do Arquivo Nacional nesta condição, a saída da Casa Civil configura-se como um retrocesso, mesmo que possamos ter mantidos as atribuições do AN e alcancemos melhorias em todos os sentidos. Isto se explica pelo fato de quem está no centro do poder, onde são definidas as políticas públicas e lugar de tomada de decisões de governo e estado, é o melhor lugar para estar uma instituição que tem um grande potencial, ainda que esteja a quilômetros de distância de colocá-lo em prática, já que o CONARQ, vinculado ao AN, tem demonstrado nos seus 20 anos de sua criação que não tem vocação para definir a política nacional de arquivo, e se bastou a fazer boas contribuições técnicas e apoio a legislação.

A Associação dos Servidores do Arquivo Nacional – ASSAN, divulgou nota em defesa da instituição; associações de arquivologia fizeram o mesmo; foi encaminhado à comunidade uma petição com mais de 3 mil assinaturas; promoveu-se vários eventos nas universidades; ocorreram reuniões com o ministro da justiça; todos voltados para a defesa do Arquivo Nacional, a partir do princípio conceitual que o lugar do AN é na Casa Civil/Presidência da República.

No entanto, parecia que a Direção-Geral do órgão estava alheia (omissa) a todo este movimento, distante dos acontecimentos, considerando que não ocorreu nenhuma manifestação pública dos seus dirigentes. Mas não foi bem assim. Na primeira oportunidade de se manifestar num ambiente público, ocorreu quando da visita do ministro José Eduardo Cardozo ao AN. No hall de entrada da instituição o diretor-geral manifestou sua posição quanto à todo este movimento, dizendo ao ministro: “O BOM FILHO A CASA TORNA”. Esta frase soou como uma guilhotina em todos aqueles que se expuseram em defesa da instituição ficar na Casa Civil; representou pegar a petição assinada por mais de 3 mil pessoas e jogá-la um triturador;  configurou um desprezo pelas muitas manifestações de apoio a instituição nas redes sociais e outros meios; caracterizou-se como inútil e digno de ser jogado na lata do lixo, tudo o que foi discutido, debatido, analisado, e proposto nos diversos eventos ocorridos no país em defesa do Arquivo Nacional; rasgou com as próprias mãos todas as notas de apoio a instituição.

Esta é uma das mais tristes páginas da história de nossa instituição, que tem sido cada vez menos pública, e vem se perpetuando sob o domínio de um segmento que, em detrimento da verdadeira vocação social do AN, tendo como base a preservação e acesso aos documentos, e que tem potencial para ir muito além de uma arquivologia governamental.

Fonte: Escrito por Nei Silveira, arquivista do Arquivo Nacional. Atua politicamente na Associação dos Servidores do Arquivo Nacional- ASSAN.

Quando é triste ouvir “O bom filho a casa torna”!

Uma ideia sobre “Quando é triste ouvir “O bom filho a casa torna”!

  • 19/01/2011 em 15:24
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    Caros (as)

    Boa tarde,

    Apenas a título de esclarecimento, o Curso de Arquivologia da UnB promoveu um debate sobre o tema em que a tônica não foi a defesa da permanência ou não do AN na Casa Civil, mas uma tentativa de reflexão sobre o papel do AN no contexto das políticas de informação do Estado brasileiro. No nosso entendimento, a conjuntura era propícia para a realização de um debate com esse foco, algo necessário e nunca feito.
    Curiosamente, a nota resultante desse encontro – cujo link foi divulgado – não foi comentada na lista.

    Cordialmente,

    Professora Dra. Georgete Medleg Rodrigues
    Curso de Arquivologia/UnB
    Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação/UnB

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